terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O sertão

O Brasil nasceu no Nordeste. No litoral. É no sertão, todavia, que o Brasil sobrevive. É no Sertão, na seca e amaldiçoada terra do sertão, que o Brasil se firma.

Lá a vida é o mandacaru, o juazeiro.
É a pedra-de-fogo e os lajedos perenes na poeira do tempo que não passa.
Lá, naquelas paragens acariciadas pela mão rude da seca,
fincou-se o pau da bandeira
e cravou-se o tronco da cruz nas costas dos homens.

Aqueles que chegam ao sertão, oriundos do barulho do mar de motores e gentes sonâmbulas, são atropelados pela descoberta mais fatal e o encontro mais terrível: consigo mesmo.

Indagar-se sobre si e sob si enlouquecer.

Afrânio Peixoto cai em si:

“O sertão é o recesso, é o íntimo do deserto...”.

Um comentário:

  1. Mestre, essas geografias sob as quais um cabra desatina de si são sempre desérticas. Sejam cidades ou sertões. Depende do desatino e do vivente. Uma vez, 30 anos passados, fui ao nordeste em lida teatral. Me convidaram a permanecer. Aceitei. Um mês depois peguei-me chorando com saudades de ver um morro, morros, serrania, lugar escondido, longe do aberto horizonte nordestino, precisado da opressão das montanhas, dos alpendres de pedra, dos caminhos difíceis, das lagoas e brejos para ter minhas próprias conversas.
    Paz e bem, mestre.

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