quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
O malfadado
O fracasso, na primeira metade do século XX, da teoria do bem-estar movido pelo progresso além de ter reflexos sociais claros, vide os acontecimentos da primeira e da segunda guerras mundiais, entremeadas pela consolidação da Revolução Russa de 1917, resultou no malogro de um projeto estético a que se chamou de modernidade. As ruínas da Europa foram sua assinatura mais cruel, o holocausto sua mancha mais discutida e as bombas de Hiroshima e Nagasaki o passaporte para o futuro. O longevo século XX foi a união de setenta anos de intenso reconstruir de fronteiras, espremendo nações, mediados por trinta anos de conflitos étnicos e guerra fria. Em suma, aquele século, que deveria ser o grande herdeiro das luzes, o colheitador dos frutos plantados, foi um algoz malfadado, o senhor da morte, o guardião da desesperança. Os acontecimentos recentes em Gaza só consolidam este pensamento.
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Mas penso, mestre Aderaldo, que estamos no curso do fim do sec. XX. Deu canseira tanta tolice sangrenta. Gaza, Afeganistão, Iraque, África, mercado sem lei dando em crise parecem-me o romper de um tempo diferente. Um que nasce estrebuchando, mas que pode ficar mais verde. De todo modo, ainda em desconfianças.
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