E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipoerene
e segue pedindo inspiração e engenho e arte para escrever o grandíloquo poema. Na Odisséia, Homero diz:
Ó Musa, fala-me do solerte varão, que, depois de ter destruído a cidade sagrada de Tróia, andou errante por muitas terras, viu as cidades de numerosas gentes e conheceu-lhes os costumes; e, por sobre o mar, sofreu no seu coração aflições sem conta, no intento de salvar a sua vida e de conseguir o regresso dos companheiros. Mas, não obstante o seu desejo, não os salvou, pois pereceram por desatino próprio os insensatos, que devoraram as vacas do Sol, filho de Hiperíone, pelo que este não os deixou ver o dia do regresso. Deusa, filha de Zeus, conta- nos a nós também algumas dessas empresas, começando por qualquer delas.
Com esses dois exemplos clássicos quero comentar que a Invocação passou à Poesia de Cordel. Resume assim, no recentemente publicado pela Editora Luzeiro, a Peleja de Aloncio com Dezinho, o poeta Varneci Nascimento, esta característica dos cordelistas.
Pedir o saber a Deus
É praxe dos cordelistas
E o mesmo eu faço agora
Pedindo a Jesus as pistas
Para narrar a contenda
Entre dois bons repentistas.
A invocação é parte importante para se observar aos que querem se iniciar na arte do bom e contemporâneo Cordel.
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