1. As avaliações devem ser entregues em PAPEL ALMAÇO (nunca em folha de caderno, nem papel de ofício ou A4); manuscritas; contendo cabeçalho com nome da faculdade, curso, nome, período e matrícula do aluno, na ordem de cima para baixo, alinhado à esquerda; com letra legível; limpas e sem rasura; datadas e assinadas.
2. As respostas iguais serão julgadas cópias e avaliadas com a nota mínima.
3. Serão recebidas até às 21:20h do dia 21 desse mês.
A honestidade intelectual é uma ferramenta dos homens de bom caráter. O seu contrário é uma praga, uma doença que, infelizmente, infecta os bancos de nossas escolas. Não seja esse o nosso caso.
Obrigado e boa sorte!
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Avaliação de Literatura Brasileira
Caráter Individual
Questão Única
Analise, comparando-os e inserindo-os no contexto ideológico do Romance Social de 30, os trechos abaixo, retirados dos romances A Bagaceira, de José Américo de Almeida, O Quinze, de Rachel de Queiroz, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos:
Boa sorte! Amém?
Questão Única
Analise, comparando-os e inserindo-os no contexto ideológico do Romance Social de 30, os trechos abaixo, retirados dos romances A Bagaceira, de José Américo de Almeida, O Quinze, de Rachel de Queiroz, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos:
Os fantasmas estropiados como que iam dançando, de tão trôpegos, e trêmulos, num passo arrastado de quem leva as pernas, em vez de ser levado por elas. (A bagaceira)
Em toda a extensão da vista, nem uma outra árvore surgia. Só aquele velho juazeiro, devastado e espinhento, verdejava a copa hospitaleira na desolação cor de cinza da paisagem. (O quinze)
Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da casa deserta. (Vidas secas)
Boa sorte! Amém?
Avaliação de Literatura Portuguesa
Caráter Individual
Escolha uma das questões para responder
1. O poema de José Neumanne Pinto, transcrito abaixo, é um típico texto no qual abunda a intertextualidade. Pede-se encontrar referências a personagens e fatos do livro Memorial do Convento, de José Saramago, relatando o papel de cada um na trama tecida pelo escritor português.
2. A partir da reflexão abaixo, disserte sobre o tema do livro e a posição do narrador de Os cus de Judas, de António Lobo Antunes:
Boa sorte! Amém?
Escolha uma das questões para responder
1. O poema de José Neumanne Pinto, transcrito abaixo, é um típico texto no qual abunda a intertextualidade. Pede-se encontrar referências a personagens e fatos do livro Memorial do Convento, de José Saramago, relatando o papel de cada um na trama tecida pelo escritor português.
A SEARA DE SARAMAGO
Esta língua é minha semente,
machado de mulato do morro,
pátria de poeta lisboeta.
Esta língua é minha visão,
o sol do soldado caolho,
a mão do soldado maneta.
Esta língua é minha música,
na palavra do padre pregador,
no pássaro do padre voador.
Esta língua é minha mulher
tem cuidados de mãe
no leito da amante.
Esta língua é minha rosa,
tem perfume dos sertões gerais,
tem sabor de vinhos do Porto.
Esta língua é meu cavalo
para subir cidades e serras,
que a brisa do Brasil beija e balança.
Esta língua é fel com mel,
cantigas a palo seco
de ninar o futuro.
Esta língua é meu coração,
na tortura, na paixão
e no sal amargo da purificação.
Esta língua é jóia africana,
ela caça a onça caetana,
ela cruza a légua tirana.
Esta língua é fruto de meu ventre,
mata sede de amizade,
me arma nos bons combates.
Esta língua não é de viver,
língua de navegar e de lamber
e de dançar o tango argentino.
Esta língua é meu berço,
esta língua me conhece,
esta língua é meu caixão.
2. A partir da reflexão abaixo, disserte sobre o tema do livro e a posição do narrador de Os cus de Judas, de António Lobo Antunes:
O branco veio com um chicote e bateu no soba e no povo.
Boa sorte! Amém?
terça-feira, 22 de maio de 2007
As releituras no cordel e suas condenações
As releituras têm seu valor, entretanto cabe-nos pensar em algo. Tenho defendido a inserção definitiva do cordel como parte crucial da formação da literatura brasileira e ele mesmo como literatura. O cordel é a base do Romance Social de 30 e do Movimento Armorial. Está no cerne de toda a música popular brasileira e do Cinema Novo. Revolução da comunicação social de massa e definidor da identidade cultural nordestina. Sendo assim fica-me impossível acreditar em releitura de clássicos do cordel. E explico: já se ouviu falar em releitura do Dom Quixote, de Os Lusíadas, de Iracema, de Macunaíma? Desconheço. A explicação é que é impossível reler a literatura (assim como a pintura, a fotografia, a escultura). Toda a releitura literária dá à luz outra obra, de valor diverso. É outra versão. A releitura é válida para a música e para o teatro, nos quais se conserva o que há de literário e atualiza-se o que há de sonoro (na música) e cenário (no teatro). Vejam-se as diversas releituras de Asa Branca (a última, magistral, de Sivuca, no disco Sivuca Sinfônico) e de Hamlet (inclusive uma releitura em desenho animado: O Rei Leão). Ou mesmo as releituras de Lamento Sertanejo, o Forró do Dominguinhos. Não há releituras para Mona Lisa de Leonardo, nem para O Pensador de Rodin ou para Serra Pelada de Sebastião Salgado. Por isso eu não chamaria de releitura, mas de nova versão.
Gostaria de refletir sobre o caso de Coco Verde e Melancia . Uma das versões desse folheto, de 1958, editada pela Prelúdio Ltda, segundo página de rosto do folheto está registrada na Biblioteca Nacional sob nº 11452 traz como autor Manoel Pereira Sobrinho. A história é a mesma contada por José Camelo de Melo Resende, mudam-se os nomes dos personagens. No caso de Coco Verde, a versão de 58 é mais rica em termos gráficos, a capa é avançada para a época, com ilustrações bem cuidadas dentro do folheto, na verdade, três pranchas, que o colocariam à altura de outras publicação folhetinescas da época, cujo objetivo era atingir o público urbano, com foco no sexo feminino.
Dois casos
O que não posso afirmar é que essas versões, adaptações, releituras, fortaleceram a busca pelo cordel. Mas posso afirmar que definitavamente inseriram o cordel no contexto sócio-político-cultural do país.
Gostaria de refletir sobre o caso de Coco Verde e Melancia . Uma das versões desse folheto, de 1958, editada pela Prelúdio Ltda, segundo página de rosto do folheto está registrada na Biblioteca Nacional sob nº 11452 traz como autor Manoel Pereira Sobrinho. A história é a mesma contada por José Camelo de Melo Resende, mudam-se os nomes dos personagens. No caso de Coco Verde, a versão de 58 é mais rica em termos gráficos, a capa é avançada para a época, com ilustrações bem cuidadas dentro do folheto, na verdade, três pranchas, que o colocariam à altura de outras publicação folhetinescas da época, cujo objetivo era atingir o público urbano, com foco no sexo feminino.
Dois casos
1.São Saruê: quando Manoel Camilo dos Santos escreveu Viagem a São Saruê não sabia no que estava se metendo. Certo dia recebeu a visita de Orígenes Lessa e ficou estupefacto com o alcance de seu folheto, que ele julgava despretensioso. Pois bem o folheto deu no documentário de Wladimir Carvalho, um marco, considerado o primeiro épico do sertão. Deu no livro infantil Aventuras em São Saruê, do próprio Lessa, que transforma Camilo em personagem. Resultou ainda em entrevista publicada em A Voz dos Poetas, da Casa de Rui Barbosa.
2.O boi misterioso: Leandro Gomes de Barros ao contar a história do boi misterioso abriu a porteira para O Boi Aruá, de Luiz Jardim, considerado o mais belo livro desse gênero (infanto-juvenil) por Monteiro Lobato e para História do Boi Incantado, canção épica de Elomar.
O que não posso afirmar é que essas versões, adaptações, releituras, fortaleceram a busca pelo cordel. Mas posso afirmar que definitavamente inseriram o cordel no contexto sócio-político-cultural do país.
Acrósticos
O acróstico é a assinatura do poeta cordelista. Sua marca contra a adulteração do seu trabalho. Mas essa assinatura em acróstico revela um fato comum no meio literário: a apropriação de obra de autor. Mesmo com leis protegendo os direitos autorais, ainda hoje é fato renitente. Transportou-se para o cordel aquilo normal na pintura: a assinatura como atestado de veracidade da autoria. . Minha contribuição:
De A Praga de Gafanhoto no Sertão Paraibano, de Caetano Cosme da Silva:
De A Malassombrada Peleja de Francisco Sales com o "Negro Visão":
De A Verdadeira História de Lampião e Maria Bonita, de Manuel Pereira Sobrinho:
É necessário observar que a confecção do acróstico requer estudo e reflexão. Os versos devem estar inseridos na narrativa. É a conclusão do trabalho, como uma máxima, a moral da história. Entretando o arranjo, e isso talvez já funcione como licensa poética, gostaria até que outros comentassem, interfere na estrutura geral do Cordel. Os exemplos que coloquei servem a essa observação. Vejam o acróstico do Caetano: o E vem acentuado, atrapalhando a pronúncia do seu nome. O caso do Francisco Sales, o segundo exemplo, no texto original vem assim F., com esse ponto abreviando o Francisco. No terceiro exemplo, acontece a seguinte curiosidade: o cordel é todo sextilhado. Percebendo que Pereira tem sete letras, o autor muda a estrutura das estrofes para sete versos. A constatação fica mais rica ao se perceber que essa mudança procede nas últimas sete estrofes do poema. Ou seja: um caso premeditado, um índice semiótico para o estudioso. Acho essas coisas fascinantes. E é isso que faz a riqueza do Cordel.
Vejamos como termina o folheto A Chegada de Getúlio Vargas no Céu e seu Julgamento, o autor saberemos pela assinatura:
Ora, não querendo interferir na estrutura geral do cordel, Rodolfo Coelho Cavalcante preferiu assinar-se no último verso com o nome completo, abreviando, artificialmente o Coelho.
Agora, um outro caso encontrado em minhas pesquisas no folheto Morte, Saudade e Lembrança de Severino Ferreira, de Zé Saldanha:
Nesse exemplo Zé Saldanha abdica de sua assinatura e, numa atitude de reforço do sentimento de amizade, constrói como que um epitáfio, comum nas terras do Nordeste: Saudade de Fulano, no caso Severino Ferreira, o poeta.
O poeta Marcus Accioly não é cordelista, é acadêmico, professor de literatura e um amante da poética do cordel. Depois de Nordestinados, uma de suas obras nas quais a poética dos cantadores aparece com profundidade e didatismo, apresentou um volume chamado Xilogravura, com ilustrações grandiosas xilogravadas num formato grande. Pois bem Accioly escreveu também Guriatã, um cordel para criança, ganhador de vários prêmios, ilustrado por Dila. No final ele assina:
Como disse, Accioly não é cordelista e não se sente preso à tradição da rima perfeita, soante, no cordel. Por isso dá-se ao direito de furar a rima como bem percebemos nas estrofes.
De A Praga de Gafanhoto no Sertão Paraibano, de Caetano Cosme da Silva:
C om fé em Deus verdadeiro
A pessoa que viver
É feliz em todo canto
T ambém tem muito prazer
A lcança toda vitória
N ão tirando da memória
O Deus de tanto poder.
De A Malassombrada Peleja de Francisco Sales com o "Negro Visão":
F aço ponto meus amigos
S obre a tremenda porfia
A todos peço desculpas
L endo esta poesia
E spero de cada um
S ua boa garantia
De A Verdadeira História de Lampião e Maria Bonita, de Manuel Pereira Sobrinho:
P rovou que quis viver bem
E stimado e sendo amado
R evoltou-se com razão
E mbora sem resultado
I mplantou o terrorismo
R olou no véu do abismo
A té o último intrigado
É necessário observar que a confecção do acróstico requer estudo e reflexão. Os versos devem estar inseridos na narrativa. É a conclusão do trabalho, como uma máxima, a moral da história. Entretando o arranjo, e isso talvez já funcione como licensa poética, gostaria até que outros comentassem, interfere na estrutura geral do Cordel. Os exemplos que coloquei servem a essa observação. Vejam o acróstico do Caetano: o E vem acentuado, atrapalhando a pronúncia do seu nome. O caso do Francisco Sales, o segundo exemplo, no texto original vem assim F., com esse ponto abreviando o Francisco. No terceiro exemplo, acontece a seguinte curiosidade: o cordel é todo sextilhado. Percebendo que Pereira tem sete letras, o autor muda a estrutura das estrofes para sete versos. A constatação fica mais rica ao se perceber que essa mudança procede nas últimas sete estrofes do poema. Ou seja: um caso premeditado, um índice semiótico para o estudioso. Acho essas coisas fascinantes. E é isso que faz a riqueza do Cordel.
Vejamos como termina o folheto A Chegada de Getúlio Vargas no Céu e seu Julgamento, o autor saberemos pela assinatura:
Assim Getúlio foi salvo
Do seu gesto delirante
E breve virá à Terra
Como um chefe triunfante
Para ajudar o Poeta
RODOLFO C. CAVALCANTE.
Ora, não querendo interferir na estrutura geral do cordel, Rodolfo Coelho Cavalcante preferiu assinar-se no último verso com o nome completo, abreviando, artificialmente o Coelho.
Agora, um outro caso encontrado em minhas pesquisas no folheto Morte, Saudade e Lembrança de Severino Ferreira, de Zé Saldanha:
S obre a dívida da morte
A nossa vida é quem paga,
U m bom amigo da gente
D aqueles que a gente afaga,
A morte dura e malvada
D á-lhe uma boa bordoada
E le depressa se apaga
D e Severino Ferreira
É muito forte a lembrança
S ua voz bonita e mansa
E stilo bom de primeira
V erso limpo sem zonzeira
E ra o poeta da gente
R ima rica e competente
I mproviso belo e risonho
N o mundo lindo de um sonho
O nde Deus está presente
Nesse exemplo Zé Saldanha abdica de sua assinatura e, numa atitude de reforço do sentimento de amizade, constrói como que um epitáfio, comum nas terras do Nordeste: Saudade de Fulano, no caso Severino Ferreira, o poeta.
O poeta Marcus Accioly não é cordelista, é acadêmico, professor de literatura e um amante da poética do cordel. Depois de Nordestinados, uma de suas obras nas quais a poética dos cantadores aparece com profundidade e didatismo, apresentou um volume chamado Xilogravura, com ilustrações grandiosas xilogravadas num formato grande. Pois bem Accioly escreveu também Guriatã, um cordel para criança, ganhador de vários prêmios, ilustrado por Dila. No final ele assina:
M as se o amigo buscado
A contecer ter partido,
R esta trazer o passado
C omo o presente perdido,
U rge ele vivo ou encantado
S empre na bola-de-vidro.
A migo leitor-menino
C ontei o aquário do sonho
C antando a sorte-destino
I mprovisado no estranho
O vo de bola-de-vidro:
L ivro em redoma de livro,
Y ara em redondo banho.
Como disse, Accioly não é cordelista e não se sente preso à tradição da rima perfeita, soante, no cordel. Por isso dá-se ao direito de furar a rima como bem percebemos nas estrofes.
quinta-feira, 17 de maio de 2007
O fictício escritor Achille Droit no Brasil
Move-se este artigo pela alvissareira notícia de que finalmente alguém no Brasil aceitou publicar Achille Droit. Venho trabalhando na tradução de suas obras há 30 anos. O desconhecimento, por aqui, de sua vasta e complexa escritura é uma afronta. Ninguém o sabe, ninguém o viu, ninguém o leu. Nem os doutos viajantes embrenhados no seio da Europa, às expensas do CNPq e da CAPES, deram notícia do marginal de St. Etienne. Marginal premiado, diga-se. Droit ganhou o prêmio Balzac de 1994 e o Napoleón, em 1995. Em 1996 teve seu nome rejeitado na lista de indicados ao Nobel pelo governo francês. Resultado: processou o governo por racismo, se auto-denominou negro e culpou o estado pela onda de “má literatura” produzida no país há 20 anos, citando o fato do mesmo governo ter concedido a comenda de Cavaleiro das Artes e das Letras a Paulo Coelho. Recusou o OULIPO (odiava Georges Perec) e inimizou-se com Italo Calvino, por causa de suas Fábulas Italianas, acusando-as de invencionices. Em 1998, publicou um vasto comentário sobre a literatura na França, matéria paga, no Le Monde e selou seu destino à margem. Agora, alguém vai publicá-lo no Brasil. Não a obra completa, mas a sua famosa trilogia.
Nascido em 1945 na cidade de St. Etienne, onde vive, no coração da França, pertence a uma família de dois troncos, um italiano, talvez daí o seu primeiro nome, Achille, e outro gaulês, de onde o Droit. A infância, segundo ele, foi passada na pequena vila de Saint Just-Saint Rambert, em casa de um tio-avô chamado Bernard, com grandes necessidades, devido ao pós-guerra. O fato é que em 68 está em Paris marchando com as esperanças e em 70 será encontrado no interior do nordeste brasileiro. Interessado pela saga dos cangaceiros, é o primeiro pesquisador internacional a perfazer o caminho de Virgulino Ferreira, o Lampião. Dessas pesquisas resultaram dois livros-chaves na literatura de Droit: Quasímodo, de 73, e A biblioteca básica do capitão Virgulino Ferreira, o Lampião, de 76, livro que funda a sua trilogia autobiográfica, composta pelos outros O inverossímil amor de Miguel de Valverde, de 76, e O fracasso essencial do desconhecido escritor A. D. Não é preciso dizer que essas iniciais do título são a do próprio autor. Claro que há algo de irônico nessa atitude. Durante toda a vida, Droit reitera não ser escritor. Quanto a desconhecido, pelo menos na Europa, não é bem assim. Suas obras foram traduzidas para os países da Comunidade Européia. Em relação ao fracasso, esse é um engodo. Droit vive do que escreve.
Os detalhes de sua personalidade ou as nuanças de sua biografia não devem ser o fulcro de nosso texto. Quero ressaltar, entretanto, o fato de Droit ter vivido no Brasil praticamente incógnito. Não alardeou nem chamou para si os holofotes. Tão somente manteve-se fiel ao roteiro de suas pesquisas vasculhando o Nordeste. Há traços de suas passagens em Juazeiro do Norte, no Ceará, em Propriá, Sergipe, em Triunfo de Pernambuco e na outra Triunfo, no alto sertão paraibano. Foi ele quem conseguiu elementos para resolver o caso de Banjamin Abrahão, o libanês que conseguiu filmar e fotografar o bando de Lampião. Essas andanças definitivamente ofereceram subsídios para a escritura de Quasímodo. Mas não só. A leitura de Euclides, de Os Sertões, foi a outra baliza. A descrição do sertanejo e da terra vermelha do sertão foram confrontadas com a experiência do francês. Vejamos as semelhanças. Diz Euclides, logo depois do célebre “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, mote mais que revirado na cultura nacional:
Essa descrição euclidiana encontrará ecos em outros. Mário de Andrade, ao fazer o seu tour, em 28, pelo interior do Nordeste repete a mesma observação. Diz ele lá no seu Turista “carinhas fuinhas, bonitinhas, desagradáveis...” Voltemos a Droit. Como dizia, Euclides foi um de seus livros de cabeceira. O próprio título já é intersectivo. É assim que ele abre seu romance:
Diz Baudelaire, citado por Boisdeffre em suas Metamorfosis de la Literatura III, que a crítica deve ser parcial, apaixonada, política, ou seja, intensamente exclusivista, mas que abra, ao mesmo tempo, os mais amplos horizontes. Por isso, não nego a influência euclidiana à pena de Droit, entretanto não deixarei de perceber a beleza do primeiro parágrafo de seu romance. Não é só belo, é construído na perfeição da palavra bem colocada, como diria Bilac, limada, com responsável bom senso, sem exagero. Essa mesma acuidade vê-se, encontra-se em sua trilogia. Para isso valeu-se, com disciplina e organização, de roteiros de pesquisa para a confecção do seu estilo e de seus temas e cenários. Influenciado por Arnold Vierniak Flemming, costumava fazer anotações matemáticas que nem sempre seguia à risca, flutuava, sem se afastar muito do tema. As anotações para O inverossímil amor de Miguel de Valverde, incluídas nos anexos da tradução nos mostram a prova.
Infelizmente essas anotações não esclarecem algumas questões intertextuais. O romance inicia com a partida de Valverde, degredado para as Índias na esquadra de Cabral, mais precisamente embarcado na nau de Vasco de Ataíde, aquela que no 13º dia perdeu-se no oceano.
Sendo um romance que pertence a uma trilogia autobiográfica de Droit, compreender-se-á as metáforas da solidão e da Inquisição. É a vida do escritor desfilando. Os dois primeiros romances dessa trilogia estão ligados profundamente ao Brasil. Aconteceu com o autor, talvez em maior escala, o mesmo acontecido a Juan Valera, o adido cultural espanhol no Brasil entre 1851 e 1853. Valera escreveu dois romances cujos cenários são a capital federal da época, o Rio de Janeiro. Chegou mesmo a escrever uma pequena história da poesia no Brasil. O autor de Pepita Jimenez ficaria desconhecido durante um século. Ultimamente, devido ao trabalho de espanistas sérios, a sua obra tem sido estudada e vasculhada com intenso fervor. O nosso escritor, Droit, talvez tenha que esperar um pouco mais, mesmo o Brasil sendo tema principal de seus mais influentes trabalhos. O primeiro A biblioteca básica do Capitão Virgulino Ferreira, o Lampião traz em sua introdução um estudo comparativo de nossa literatura. Nesse estudo, dentro de um romance histórico e jornalístico, há por exemplo uma comparação entre dois clássicos de nossa literatura: Gonçalves Dias e Augusto dos Anjos, para explicar a presença dos mesmos dentro do corpus lido pelos cabras de Lampião.
Droit conhecia a literatura brasileira. Sabia como e onde encontrá-la. Esse volume da trilogia, o de Lampião, nasceu de uma observação lida por ele no mesmo turista acidental de Mario de Andrade a respeito dos cangaceiros:
Essa observação de que o grupo de Lampião continha elementos estudados, levou-o, Droit, a especular sobre qual literatura seria lida entre eles. E o que encontrou só lendo o volume primeiro da trilogia. O certo é que Gonçalves Dias e Augusto dos Anjos estavam na estante dos cabras.
Quanto ao último volume dessa obra tríptica, é o mais intimista, memorialista até. É narrada um pouco de sua infância e seu encontro com as primeiras letras e que tipo de literatura forjou sua personalidade e seu estilo. Narrada em primeira pessoa é uma descrição sensível do mundo em ruínas, do aprendizado. Ressalte-se o trecho em que apresenta ao leitor seu primeiro mestre, como o fez José de Alencar em seu Como e porque sou romancista, traçando um perfil do Sr. Januário Mateus Ferreira, diretor do Colégio de Instrução Elementar, onde o fundador de nosso romance fizera seus primeiros contatos com a cultura acadêmica. O primeiro mestre de Droit é o italiano Americo Perazzo, professor de grego e latim, conhecedor das Belas Letras. No capítulo referente a ele apresenta:
Esse pequeno parágrafo elucidará o maior mistério de sua trilogia e, mesmo, o porquê de ela nunca ter aportado por aqui. O misterioso Droit cumprira uma tarefa que no século XX, aquele século das Vanguardas, se tornaria quase impossível de ser lida. Este motivo, este porquê, que vou revelar agora é, também, o responsável pelo longo tempo que levei para traduzi-lo. Tarefa árdua, mas agradável e recompensadora pois, agora, finalmente alguém vai publicar Achille Droit no Brasil. Ah, sim! O motivo: a trilogia autobiográfica de Droit foi escrita em latim e publicada com dinheiro do seu próprio bolso, já que todos os editores a rejeitaram.
Nascido em 1945 na cidade de St. Etienne, onde vive, no coração da França, pertence a uma família de dois troncos, um italiano, talvez daí o seu primeiro nome, Achille, e outro gaulês, de onde o Droit. A infância, segundo ele, foi passada na pequena vila de Saint Just-Saint Rambert, em casa de um tio-avô chamado Bernard, com grandes necessidades, devido ao pós-guerra. O fato é que em 68 está em Paris marchando com as esperanças e em 70 será encontrado no interior do nordeste brasileiro. Interessado pela saga dos cangaceiros, é o primeiro pesquisador internacional a perfazer o caminho de Virgulino Ferreira, o Lampião. Dessas pesquisas resultaram dois livros-chaves na literatura de Droit: Quasímodo, de 73, e A biblioteca básica do capitão Virgulino Ferreira, o Lampião, de 76, livro que funda a sua trilogia autobiográfica, composta pelos outros O inverossímil amor de Miguel de Valverde, de 76, e O fracasso essencial do desconhecido escritor A. D. Não é preciso dizer que essas iniciais do título são a do próprio autor. Claro que há algo de irônico nessa atitude. Durante toda a vida, Droit reitera não ser escritor. Quanto a desconhecido, pelo menos na Europa, não é bem assim. Suas obras foram traduzidas para os países da Comunidade Européia. Em relação ao fracasso, esse é um engodo. Droit vive do que escreve.
Os detalhes de sua personalidade ou as nuanças de sua biografia não devem ser o fulcro de nosso texto. Quero ressaltar, entretanto, o fato de Droit ter vivido no Brasil praticamente incógnito. Não alardeou nem chamou para si os holofotes. Tão somente manteve-se fiel ao roteiro de suas pesquisas vasculhando o Nordeste. Há traços de suas passagens em Juazeiro do Norte, no Ceará, em Propriá, Sergipe, em Triunfo de Pernambuco e na outra Triunfo, no alto sertão paraibano. Foi ele quem conseguiu elementos para resolver o caso de Banjamin Abrahão, o libanês que conseguiu filmar e fotografar o bando de Lampião. Essas andanças definitivamente ofereceram subsídios para a escritura de Quasímodo. Mas não só. A leitura de Euclides, de Os Sertões, foi a outra baliza. A descrição do sertanejo e da terra vermelha do sertão foram confrontadas com a experiência do francês. Vejamos as semelhanças. Diz Euclides, logo depois do célebre “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, mote mais que revirado na cultura nacional:
A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.
É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos.
Essa descrição euclidiana encontrará ecos em outros. Mário de Andrade, ao fazer o seu tour, em 28, pelo interior do Nordeste repete a mesma observação. Diz ele lá no seu Turista “carinhas fuinhas, bonitinhas, desagradáveis...” Voltemos a Droit. Como dizia, Euclides foi um de seus livros de cabeceira. O próprio título já é intersectivo. É assim que ele abre seu romance:
Encontrei Quasímodo cambaleante, bêbado. Se torto era, mais ainda sua sombra. Estendida no pó vermelho, tez enrugada do sertão perene, entranha mais entrada no corpo da caatinga, escrevia, aquela sombra aguda, a imagem do sineiro malfadado, oriundo da Paris das Luzes, agora figura alegórica da Paraíba das trevas. Era quarta-feira. Semana Santa. E ele estava lá, amaldiçoado, implorando esmolas e misericórdia, a caridade do mundo.
Diz Baudelaire, citado por Boisdeffre em suas Metamorfosis de la Literatura III, que a crítica deve ser parcial, apaixonada, política, ou seja, intensamente exclusivista, mas que abra, ao mesmo tempo, os mais amplos horizontes. Por isso, não nego a influência euclidiana à pena de Droit, entretanto não deixarei de perceber a beleza do primeiro parágrafo de seu romance. Não é só belo, é construído na perfeição da palavra bem colocada, como diria Bilac, limada, com responsável bom senso, sem exagero. Essa mesma acuidade vê-se, encontra-se em sua trilogia. Para isso valeu-se, com disciplina e organização, de roteiros de pesquisa para a confecção do seu estilo e de seus temas e cenários. Influenciado por Arnold Vierniak Flemming, costumava fazer anotações matemáticas que nem sempre seguia à risca, flutuava, sem se afastar muito do tema. As anotações para O inverossímil amor de Miguel de Valverde, incluídas nos anexos da tradução nos mostram a prova.
Infelizmente essas anotações não esclarecem algumas questões intertextuais. O romance inicia com a partida de Valverde, degredado para as Índias na esquadra de Cabral, mais precisamente embarcado na nau de Vasco de Ataíde, aquela que no 13º dia perdeu-se no oceano.
Sendo um romance que pertence a uma trilogia autobiográfica de Droit, compreender-se-á as metáforas da solidão e da Inquisição. É a vida do escritor desfilando. Os dois primeiros romances dessa trilogia estão ligados profundamente ao Brasil. Aconteceu com o autor, talvez em maior escala, o mesmo acontecido a Juan Valera, o adido cultural espanhol no Brasil entre 1851 e 1853. Valera escreveu dois romances cujos cenários são a capital federal da época, o Rio de Janeiro. Chegou mesmo a escrever uma pequena história da poesia no Brasil. O autor de Pepita Jimenez ficaria desconhecido durante um século. Ultimamente, devido ao trabalho de espanistas sérios, a sua obra tem sido estudada e vasculhada com intenso fervor. O nosso escritor, Droit, talvez tenha que esperar um pouco mais, mesmo o Brasil sendo tema principal de seus mais influentes trabalhos. O primeiro A biblioteca básica do Capitão Virgulino Ferreira, o Lampião traz em sua introdução um estudo comparativo de nossa literatura. Nesse estudo, dentro de um romance histórico e jornalístico, há por exemplo uma comparação entre dois clássicos de nossa literatura: Gonçalves Dias e Augusto dos Anjos, para explicar a presença dos mesmos dentro do corpus lido pelos cabras de Lampião.
Droit conhecia a literatura brasileira. Sabia como e onde encontrá-la. Esse volume da trilogia, o de Lampião, nasceu de uma observação lida por ele no mesmo turista acidental de Mario de Andrade a respeito dos cangaceiros:
Mas parece que Lampião tinha lá no grupo dele uns malandros cheios de curso escolar... De primeiro ele não era o que é, não. Os tais é que, cangacismo praticado, voltavam para roubar, estuprar o Cão! Lampeão... Lampeão era brasileiro da República (não sou monarquista) e se acostumou.
Essa observação de que o grupo de Lampião continha elementos estudados, levou-o, Droit, a especular sobre qual literatura seria lida entre eles. E o que encontrou só lendo o volume primeiro da trilogia. O certo é que Gonçalves Dias e Augusto dos Anjos estavam na estante dos cabras.
Quanto ao último volume dessa obra tríptica, é o mais intimista, memorialista até. É narrada um pouco de sua infância e seu encontro com as primeiras letras e que tipo de literatura forjou sua personalidade e seu estilo. Narrada em primeira pessoa é uma descrição sensível do mundo em ruínas, do aprendizado. Ressalte-se o trecho em que apresenta ao leitor seu primeiro mestre, como o fez José de Alencar em seu Como e porque sou romancista, traçando um perfil do Sr. Januário Mateus Ferreira, diretor do Colégio de Instrução Elementar, onde o fundador de nosso romance fizera seus primeiros contatos com a cultura acadêmica. O primeiro mestre de Droit é o italiano Americo Perazzo, professor de grego e latim, conhecedor das Belas Letras. No capítulo referente a ele apresenta:
Seu Américo me adotou. Abriu sua casa, sua biblioteca, seu coração. Ensinou-me o Latim. Nunca levantou-me a voz. Olhava-me como um objeto de estimação, muitas vezes como objeto de estudo. A cada avanço meu naquela língua estranha, aos meus olhos ele me parecia mais moço. Ensinou-me para que eu lesse o breviário. Pouco a pouco foi me introduzindo na liturgia católica. Salve Regina, mater misericordiae. Quis ensinar-me o grego, meus ancestrais em ebulição se insurgiram. Foi calamitoso. Se no latim fui além do ego sum qui sum, no grego não passei de alfa e, se fui além, fui analfa. O mestre não insistiu. Compreendendo que minha idade deveria ser tratada com mais leveza apresentou-me Fedro e Esopo, adorei. Antevendo o rebelde em que eu me transformaria deixou-me à vontade e passou a atender-me quando de minhas dúvidas em algumas dificuldades. E eu descobri o Decamerão. Bocaccio me falava mal da Igreja e tirava a roupa de padres e freiras. Me falava de sexo. E eu não o larguei mais. O mestre me entendeu e eu compreendi que do sagrado para o profano basta virar a página.
Esse pequeno parágrafo elucidará o maior mistério de sua trilogia e, mesmo, o porquê de ela nunca ter aportado por aqui. O misterioso Droit cumprira uma tarefa que no século XX, aquele século das Vanguardas, se tornaria quase impossível de ser lida. Este motivo, este porquê, que vou revelar agora é, também, o responsável pelo longo tempo que levei para traduzi-lo. Tarefa árdua, mas agradável e recompensadora pois, agora, finalmente alguém vai publicar Achille Droit no Brasil. Ah, sim! O motivo: a trilogia autobiográfica de Droit foi escrita em latim e publicada com dinheiro do seu próprio bolso, já que todos os editores a rejeitaram.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
De As marteladas
Do prefácio e do verbo
No prefácio da vida era Camões
Lírico... épico... cego/míope.
Mika Waltari... o egípcio... o etíope.
Ulysses ou Joyce? ... mas foi Guimarães
Ros’Alceu Amoroso nas manhãs.
Poe... Breton. Trovas de um chanteur
Quengas lindas, fino cabaré
Onde há flores do bem e a vida dói
... sob as patas de um leão (Tolstoi)
Patativa era o verbo de Assaré.
Soledade
Ao lembrar-me d’A Nau Catarineta
Deu saudade em o meu olho d’ator
Soledade é que nem um cantador
Q’não cansa nem pára de cantar.
Uma nódoa chegou a m’cegar
(Violão cego, a viola ávida
apossou-se). Q’nem um mandatário
há três vidas Alá m’habita e mora
mes’send’eu plebeu itinerante
q’só tem o teatr’e pedra a mais.
Barriga cheia, pé...
Do bumba-meu-boi eu quero o boi
Morto. Vida pr’irmãos mortos, cem
Vidas embevecidas de dor, esfomeadas
Ao depois, ao durante e mesm’ao antes.
Arlequins, Mateus e Catirinas
Aos cantos de comida em desatino
Do cavalo marinho no quintal,
Numa festa de barro, lama e lodo,
Aos gemidos de cinco violados
Degustaram Bandeira+Cabral.
No prefácio da vida era Camões
Lírico... épico... cego/míope.
Mika Waltari... o egípcio... o etíope.
Ulysses ou Joyce? ... mas foi Guimarães
Ros’Alceu Amoroso nas manhãs.
Poe... Breton. Trovas de um chanteur
Quengas lindas, fino cabaré
Onde há flores do bem e a vida dói
... sob as patas de um leão (Tolstoi)
Patativa era o verbo de Assaré.
De Cortázar, São Jorge e Rulfo
O livro de Manuel, ele cort’asa
D’araras, urubus e avestruzes
Cujas fardas coloridas/negras
Rubros fazem brotar o medo e a dor.
Outro livro, aquele do Amado,
Do suor dos homens do cacau,
Tem a alma fiel da reportagem
Dentr’um corp’infiel de ignorância
No silêncio daqueles cavaleiros
Vendo em chama o planalto se acabar
Soledade
Ao lembrar-me d’A Nau Catarineta
Deu saudade em o meu olho d’ator
Soledade é que nem um cantador
Q’não cansa nem pára de cantar.
Uma nódoa chegou a m’cegar
(Violão cego, a viola ávida
apossou-se). Q’nem um mandatário
há três vidas Alá m’habita e mora
mes’send’eu plebeu itinerante
q’só tem o teatr’e pedra a mais.
Uma pedra para recostar
Nas cozinhas desse Nosso Senhor
Há um misto de queijo+presunto
Um x-tudo de beijo+defunto
Um hot dog de american drugs
E um caldo de cana com Pasteur.
Já na sala de águas da Lagoa
Santa Cora Coralina viajou
Abraçada a Quintana que, de nobre,
Foi Baco deleitando as criancinhas
Com potes de mel e cola diet.
Barriga cheia, pé...
Do bumba-meu-boi eu quero o boi
Morto. Vida pr’irmãos mortos, cem
Vidas embevecidas de dor, esfomeadas
Ao depois, ao durante e mesm’ao antes.
Arlequins, Mateus e Catirinas
Aos cantos de comida em desatino
Do cavalo marinho no quintal,
Numa festa de barro, lama e lodo,
Aos gemidos de cinco violados
Degustaram Bandeira+Cabral.
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