Gostaria de refletir sobre o caso de Coco Verde e Melancia . Uma das versões desse folheto, de 1958, editada pela Prelúdio Ltda, segundo página de rosto do folheto está registrada na Biblioteca Nacional sob nº 11452 traz como autor Manoel Pereira Sobrinho. A história é a mesma contada por José Camelo de Melo Resende, mudam-se os nomes dos personagens. No caso de Coco Verde, a versão de 58 é mais rica em termos gráficos, a capa é avançada para a época, com ilustrações bem cuidadas dentro do folheto, na verdade, três pranchas, que o colocariam à altura de outras publicação folhetinescas da época, cujo objetivo era atingir o público urbano, com foco no sexo feminino.
Dois casos
1.São Saruê: quando Manoel Camilo dos Santos escreveu Viagem a São Saruê não sabia no que estava se metendo. Certo dia recebeu a visita de Orígenes Lessa e ficou estupefacto com o alcance de seu folheto, que ele julgava despretensioso. Pois bem o folheto deu no documentário de Wladimir Carvalho, um marco, considerado o primeiro épico do sertão. Deu no livro infantil Aventuras em São Saruê, do próprio Lessa, que transforma Camilo em personagem. Resultou ainda em entrevista publicada em A Voz dos Poetas, da Casa de Rui Barbosa.
2.O boi misterioso: Leandro Gomes de Barros ao contar a história do boi misterioso abriu a porteira para O Boi Aruá, de Luiz Jardim, considerado o mais belo livro desse gênero (infanto-juvenil) por Monteiro Lobato e para História do Boi Incantado, canção épica de Elomar.
O que não posso afirmar é que essas versões, adaptações, releituras, fortaleceram a busca pelo cordel. Mas posso afirmar que definitavamente inseriram o cordel no contexto sócio-político-cultural do país.
Obrigado por tua visita e comentário ao meu blog.
ResponderExcluirTambém gostei muito deste e parabéns!
Grande abraço
Acaba de ser reeditado, pela editora Luzeiro, o romance O PRÍNCIPE DO BARRO BRANCO E A PRINCESA DO VAI-NÃO-TORNA, de Manoel Pereira Sobrinho. Os motivos que compõem a estória são universais. A versão de Sobrinho é, em tese, a mesma de Milanês, que havia versado o tema anos antes. A diferença reside no fato de Sobrinho dar mais ênfase à descrição do reino fabuloso, com uma linguagem que aproxima a sua obra de VIAGEM A SÃO SARUÊ, de Camilo, e, mais ainda, de VIAGEM AO CÉU, de Leandro Gomes de Barros, protótipo de todos os folhetos do gênero. Outro diferencial: a versão de Milanês tem 16 p. A de Sobrinho, 32, com capa em policromia, talqualmente a editora Prelúdio (antecessora da Luzeiro) publicou na década de 1952, no já distante século XX. Releitura? Plágio? Não. Prova inconteste das muitas possibilidades que a literatura de cordel oferece, quando os autores são dotados de talento. Coisa que os dois poetas citados tinham para dar e vender.
ResponderExcluir