quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A escolha

Repito enfaticamente:

Não é o poeta quem escolhe o cordel. É o cordel quem escolhe o poeta.


Logo, não adianta labutar no lodaçal. Se o poeta não consegue construir um poema em cordel, com mais de 30 sextilhas, é bom repensar seu intento. Se consegue escrever 28 apenas, tem uma luz, mas só. O cordel requer fôlego.

Da mesma forma, o poeta que escreve cinco sextilhas e diz que escreveu cordel, delira. Escreveu tão somente cinco sextilha, utilizou apenas a técnica do cordel, não escreveu um cordel.

Lembremos que uma sextilha solitária extraída de um poema de cordel, perde sua aura cordelística. É unicamente uma sextilha, um pintainho de acauã que do ninho caiu. E morreu.

Repito ainda:

O poeta de cordel tem que respirar cordel, mas precisa comer várias outras guloseimas.

Um comentário:

  1. Muito bem Luciano, gostei do que foi postado á respeito dos cordéis mais vendidos.
    Sou revendedor de cordel e posso afirmar que esse cordel de Varneci com seus dez mandamentos e a chegada de Lampião no inferno são campeões de venda.

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