1.
Inicio essa nova rodada de apropriações, apropriando-me de Afrânio Coutinho, adaptando-o ao cordel:
Divorciado de uma tradição, o poeta de cordel sente-se separado de seus predecessores, que ignora, da sociedade, que o desconhece, ou de seus pares, a que não presta atenção...
2.
Continuando:
É marca indelével de nossa vida intelectual a completa desatenção do escritor ao trabalho de outros escritores passados ou contemporâneos. Resultam o isolamento e o marginalismo em vida, e o esquecimento rápido com a morte, como se construísse sobre a areia. E resulta a impressão de que as obras são feitas de espuma, desaparecendo com o tempo.
3.
Ainda parodiando Afrânio:
A fé no espontâneo, na arte natural, na inspiração telúrica, faz com que (o poeta de cordel) despreze o estudo e a formação técnica. Constitui motivo de jactância ou endeusamento, e critério de aferição de valores, o pouco ou nenhum estudo, a virgindade de alma, a incultura... refletidos na rapidez e abundância da produção, no descuido e desinteresse pelo aperfeiçoamento.
Cáustico e verdadeiro.
ResponderExcluirDá-lhe, Cacique!