a) o nome literatura de cordel é de origem lusa, mas má empregada em relação aos nossos folhetos de cordel, visto que são fenômenos distintos, havendo mais divergências do que semelhanças entre eles;
b) não se sabe quem primeiro atribuiu esse nome aos folhetos. Alguns dizem ter sido Sílvio Romero, em 1879, mas as evidências contradizem a afirmação;
c) quem sistematizou a publicação de folhetos de cordel foi, sem dúvida, Leandro Gomes de Barros, embora Silvino Pirauá tenha sido o criador do romance em versos;
d) a literatura tradicional ibérica foi adaptada no amanhecer do século XX para o formato do cordel, mas não é o assunto principal do gênero;
e) a literatura de cordel não é a versão escrita do universo dos cantadores e repentistas nordestinos, é produto estritamente escrito, tendo inclusive, o cordel, influenciado as modalidades da cantoria;
f) as tentativas de conceituar o cordel foram sempre regidas pela sua apresentação material, nunca pela sua forma literária;
g) a literatura de cordel sempre foi tida como um subproduto popular;
h) o autor de cordel é um poeta como outro qualquer, escreve porque tem necessidade vital;
i) a literatura de cordel é literatura brasileira e como tal deve ser estudada;
j) os estudiosos do cordel foram incapazes de dar à literatura de cordel sua verdadeira dimensão literária;
k) as novas gerações de cordelistas consagram o cordel como o gênero de maior vitalidade na literatura brasileira.
Salientem ainda:
a) a literatura de cordel não tem cunho efetivamente rural. É fruto da confluência do mundo rural com o mundo urbano, do sertão com a cidade;
b) a cidade do Recife é o local onde nasce a literatura de cordel tal como hoje ela é, em sua forma e veículo de difusão;
c) quatro nomes contemporâneos são os responsáveis pela consolidação da literatura de cordel: Silvino Pirauá, Leandro Gomes de Barros, João Martins de Ataíde e Francisco das Chagas Batista.
d) Leandro Gomes de Barros é definitivamente o pai da literatura de cordel e seu maior escritor;
e) Estudiosos e pesquisadores desatentos ou preguiçosos foram os responsáveis por disseminar informações equivocadas, conceitos errados e enganos formais sobre a literatura de cordel.
Finalizamos:
a) Propomos uma nova classificação para a literatura de cordel, começando já pela abreviação do nome para cordel, por entendermos que esse termo já pressupõe pela tradição o seu produto literário;
b) O fazemos por entender que o cordel traz em si todos os elementos distintivos da literatura;
c) As classificações temáticas ou em ciclos não contemplam a autoria em cordel, agrupando temas e segregando os autores, sob a marca do folclórico;
d) O cordel é forma poética fixa complexa que requer subdivisões classificatórias;
e) O cordel, por nossa classificação, compreende o narrativo, o dramático e o lírico;
f) A nossa classificação é embrionária necessitando apreciações aprofundadas com o intuito de introduzir o cordel no todo literário brasileiro e na teoria dos gêneros literários como forma originalmente brasileira.
Gostaria de ter assistido sua defesa, mas o tempo... Admiro sua coragem e determinação em defesa da nordestinidade. Maranhense que sou, expatriado, sinto dever de ser nordestino, de fato e de direito neste torrão que é o Rio de Janeiro. Nosso lugar é o mundo. Sua tese traz o assunto da margem para o lugar que lhe negaram. Até maio defendo tb lá na Ciencia da Literatura minha tese sobre performance, poesia oral e sebastianismo. AVE, ADERALDO, Nada cego!!!
ResponderExcluirValeu, Doutor!
ResponderExcluirvocê como sempre, é ótimo! Parabéns!!!!!!! Pedra Lavrada-PB
ResponderExcluir