A produção cordeliana encontrando o seu herói épico,
Lampião,
não existe outro de tão forte identidade quanto ele,
baixa os fundamentos de nossa epopéia.
Ele, Lampião, sintetiza: o
Brasil pré-cabralino, herdeiro dos antigos Tapuias do sertão nordestino;
a resistência à desordem estabelecida pelas oligarquias
e
o mito primordial brasileiro do viver sem lei, nem Rei, nem fé.
É histórico, reconhecido pela
Igreja,
em sua certidão de batismo;
Estado,
representado pela instituição da Polícia Militar
e
é maravilhoso,
épico-burlesco,
herói-cômico,
nas façanhas do outro lado da vida.
Por tudo isso reivindicamos seja a Literatura de Cordel o caminho para uma poética dos nossos heróis degolados.
Obrigada pelo post, Aderaldo!
ResponderExcluirSeu blog é requintadíssimo...Do jeito que Lampião gosta! hahaha (
Não sei onde li que Virgulino só gostava de coisa fina!)
Um xero! Saudades,
Sandra
Os heróis populares são também, como os gregos, camaradas trágicos, mano mestre. e querendo ou não os interesses terrenos, eles sempre chegarão ao Olimpo e terão seus feitos cantados pelo povo. Porque na sua hibris enlouquecida eles enfrentaram os monstros que povo não pode enfrentar. Conselheiro e Lampião são dois assim. Mas para Tiradentes ninguém fez cordel. Ele foi cantado por outros, pelos escravocratas que não gostavam de pagar impostos. É incentivado na escolas, foi incensado por presidentes. Tancredo disse: um herói enlouquecido de liberdade. Mas ele não se constrói no coração do povo. Não tem nenhum cordel que conta sua chegada no céu.
ResponderExcluirPaz e bom humor, mestre Aderaldo.
DE fato, Walmir. Não conheço nenhum A Chegada de Tiradentes no Céu. Mas conheço Tiradentes, o Mártir da Independência de Manoel Pereira Sobrinho, que a Luzeiro reeditou há dois anos.
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