Estala relho marvado
Recordar hoje é meu tema
Quero é rever os antigos
tropeiros da Borborema
São tropas de burros que vêm do sertão
Trazendo seus fardos de pele e algodão
O passo moroso só a fome galopa
Pois tudo atropela os passos da tropa
O duro chicote cortando seus lombos
Os cascos feridos nas pedras aos tombos
A sede e a poeira o sol que desaba
Rolando caminho que nunca se acaba
Estala relho marvado
Recordar hoje é meu tema
Quero é rever os antigos
tropeiros da Borborema
Assim caminhavam as tropas cansadas
E os bravos tropeiros buscando pousada
Nos ranchos e aguadas dos tempos de outrora
Saindo mais cedo que a barra da aurora
Riqueza da terra que tanto se expande
E se hoje se chama de Campina Grande
Foi grande por eles que foram os primeiros
Ó tropas de burros, ó velhos tropeiros.
E continuo me emocionando. Tanto pela cidade, quanto pela música!
Também guardo saudades das tropas. Vc é dente-de-leite perto de mim, mestre, pois cheguei a conviver com as derradeiras, os derradeiros pelas serranias do Paraipeva (hoje se chama rio Paraopeba), pelas estradinhas que ligavam povoados. Bonfim, Roças Novas, Costas, Belo Vale, Moeda, Moeda Velha, Boa Morte, Macaúbas, Brumado, Chacrinha, Casa de Pedra, Bonfim, Jeceaba.
ResponderExcluirEra bom e ruim. Mas dá saudade. A poeira e o cheiro da tropa ajuntada desviram em boas lembranças.
E olha, tive uma namorada atriz de Campina Grande, do Grupo de dona Lurdes Ramalho. Chegou a conhecer dona Lurdes? tia de Elba, eu acho. Um grupo bonito de cantos e representações. Nos encontramos, eu e o grupo, em 1970 num daqueles festivais estudantis promovidos por Paschoal Carlos Magno, a Barca da Cultura, uma barcaça herdada do Mississipi, repleta de artistas que desciam pelo São Francisco arreliando com musica, artesanato, literatura e representações a vida dos ribeirinhos do velho Chico.
Então, olha só mestre, temos uns espaços comuns; quem diria?
Resposta:
ResponderExcluirRapaz, temos um bocado de coisa dialogando. Conheci dona Lourdes Ramalho quando era menino nos festivais de arte lá de Areia. Ela tem uma peça chamada "A mulher da Viração", cujo personagem principal nunca aparece, é um padre recém-ordenado, cujo nome é Aderaldo. O grupo a que tu te referes deve ser o Tropeiros da Borborema, grupo folclórico que inspirou outros pela Paraíba afora. Também namorei gente de Campina Grande. Quando morei em Sergipe, fiz a subida do Rio São Francisco de Neópolis (na outra margem é Penedo) até Poço Redondo, porque aí vem as corredeira e não dá para subir. Foi a coisa mais impressionante nos meus 18 anos de idade! Valeu, Cássio!
Caro Aderaldo.
ResponderExcluirTropeiros da Borborema é uma parceria de Rosil Cavalcanti e Raimundo Asfora, gravada por Gonzagão no Centenário de Campina Grande.
Na gravação original desta música em compacto duplo de 1964 não consta o nome de Raimundo Asfora como parceiro de Rosil Cavalcanti. O nome de Rosil figura sozinho. Alguém tem uma explicação?
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