domingo, 13 de março de 2011

Segundo encontro da Roda de Cordel

Nosso segundo encontro da Roda de Cordel está marcado para sexta-feira, dia 18 de março, a partir das 19:00h, na Sede da Apeoesp, à Praça da República, 282, Centro de São Paulo. Saiba o que é esse círculo de estudos:

Apresentação

Roda de Cordel é um círculo de estudos sobre o cordel brasileiro. Aparecido no final do séc. XIX, no Recife-PE, onde foi impresso e ganhou a forma poética que o distingue, essecordel não ficou estático, congelado no passado como alguns pesquisadores teimam em afirmar. Tampouco é uma literatura de analfabetos ou semi-analfabetos, como querem outros. Vivo e pujante, sempre se reinventando em sua própria forma fixa, o cordel exige, para orientar aos que querem se aprofundar em suas entranhas formais e sociais e culturais, ser observado para burlar os erros, os equívocos e as falácias sobre si: o eixo condutor dessa Roda de Cordel.

Ementa

História do cordel brasileiro. Pioneiros, continuadores e contemporâneos: entre a geração Princesa e a geração Coroada. Elementos fundamentais do cordel brasileiro. Editores e editoras. Escrevivência do cordelismo. O cordel brasileiro hoje.

Programa

1. ARQUEOLOGIA DO CORDEL

a) História: a geração Princesa

Leandro Gomes de Barros e a fundação do cordel
Silvino Pirauá de Lima, o poeta enciclopédico
João Martins de Athayde, o mercador da poesia
Francisco das Chagas Batista e a Popular Editora

b) O Pavão Misterioso, divisor de águas

José Camelo, o helicóptero em forma de pássaro
Delarme Monteiro, as torres e o encantamento
Antonio Teodoro, o poeta garimpeiro
Eneias Tavares, de realidade e ficção

c) Cordel e outras artes

Manoel Camilo, Wladimir Carvalho e Orígenes Lessa: ecos de São Saruê
Leandro Gomes de Barros, José de Alencar e Luís Jardim: o boi misterioso
Azulão, Ariano Suassuna e Guel Arraes: os compadecidos
Pedro Monteiro, Homero Fonseca e Ciro Fernades: romances e madeiras

2. LITERARIEDADE DO CORDEL

a) Conceitos fundamentais do cordel

Métrica, ritmo, rima, estrofação

Cordel e lírica
Cordel e épica
Cordel e drama

b) As adaptações em cordel

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Varneci Nascimento
O corcunda de Notre Dame, de João Gomes de Sá
A megera domada, de Marco Haurélio
O alienista, de Rouxinol do Rinaré
Os miseráveis, de Klévisson Viana

c) Erros, equívocos e falácias sobre o cordel

Cordel e repente: um erro concertável
Cordel e xilogravura: um erro acadêmico
Cordel e cantoria: equívoco modal
O cordel brasileiro e o cordel português: distâncias de além-mar

Carga horária e certificação

A Roda de Cordel - círculo de estudos sobre o cordel brasileiro acontece em encontros mensais de aproximadas duas horas e meia por 11 meses, totalizando 27 horas. Dependendo da demanda os encontros podem aumentar seu número. De início acontecerá na Sede da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo), à Praça da República, 282, no centro da cidade de São Paulo, mas o seu intuito é ser itinerante por locais a serem divulgados antecipadamente. Alertamos que estamos em conversações com faculdades de Letras para agregar a Roda de Cordel aos seus cursos de extensão para que possamos certificar os particpantes.

Bibliografia

A bibliografia básica, além dos textos inseridos no próprio corpo do programa requer basicamente: Literatura de cordel: uma poética para os heróis degolados, dissertação de mestrado do professor Aderaldo Luciano e Literatura de cordel: visão e re-visão, do mesmo professor, além de Breve história da literatura de cordel, do pesquisador Marco Haurélio e o Literatura Popular em Verso - Estudos, da Fundação Casa de Rui Barbosa

A Curadoria e a Coordenação

A Curadoria é de Nando Poeta, professor, formado em Ciências Sociais pela UFRN. Poeta cordelista engajado, autor de vários títulos entre os quais Mulheres em luta e A arte de lutar nos quais atualiza uma antiga tradição do cordel: o engajamento social, inaugurado por Leandro Gomes de Barros e Chagas Batista.

A Mediação é do professor Doutor Aderaldo Luciano, pesquisador do CNPq, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor de O auto de Zé Limeira e coordenador editorial da Editora Luzeiro, a principal casa de publicações em cordel brasileiro.

 


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Roda de cordel

Convite

Há algum tempo pensamos em uma maneira de discutir os aspectos internos e externos do cordel. A partir de sexta-feira, dia 11, iniciaremos o círculo de conversas sobre o cordel. Será na sede central da Apeoesp, ali na Praça da República, 282, em São Paulo. Na ocasião discutiremos além de elementos históricos do cordel,alguns elementos da métrica, rima, ritmo e estrofação cordelísticos. Não é seminário, não é oficina. É um grupo de estudos. Estarei à frente dessa conversa como preparação para a instalação da Escola Livre do Cordel, sobre o que conversaremos no seu devido tempo. A curadoria é do incansável Nando Poeta. 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Cordel no Globo Rural

A edição de aniversário de 31 anos do Globo Rural, da TV Globo, foi toda dedicada ao cordel. Clique na imagem para ter acesso à parte do programa sobre Leandro Gomes de Barros quando dou um breve depoimento sobre Leandro e João Martins de Ataíde.

 

Mais um pouco sobre o cordel e suas ilustrações, bem como um pouco sobre a Luzeiro, a editora da qual sou o coordenador editorial. Depoimentos de Varneci Nascimento e Gregório Nicoló. Clique na imagem:

 

TV Escola: o cordel como ferramenta pedagógica

O ano passado foi interessante para o cordel. A TV Escola exibiu uma série de cinco programas sobre O Cordel na Sala de Aula, entrevistando cordelistas de todo o país. No terceiro programa fui entrevistado sobre como proceder na sala de aula com o cordel. Clique na imagem para ser direcionado ao programa na página da TV Escola e saber mais detalhes, bem como ter acesso a todos os programas da série. Imperdível para pesquisadores e professores que queiram descobrir o Brasil.

 

 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Outras paródias

1.

Inicio outra rodada de paródias com Georges Mathieu, em entrevista a Vintila Horia:— É evidente que o poeta de cordel se prepara para escrever. O problema está em saber ou prever se o fará de forma sábia ou demencial.

2.

Thomas Heggen a Budd Schulberg: Leandro Gomes de Barros (o criador do cordel) foi sábio o bastante para logo perceber que a carreira de um escritor não é uma escada rolante, nem uma palmeira para que suba por ela, como macaco, se apoiando nas mãos. Um escritor, quando continua escrevendo é uma cordilheira... sou uma cordilheira, desço, subo, tenho chapadas, deslizes e até quedas.

3.

Vicente Huidobro: esses quase-poetas contemporâneos são muito interessantes, mas seu interesse não me interessa. 

A terra do sal

  • O cordel é minha terra e minha praia, é meu santo e meu altar, por ele não mato (sou um frouxo) nem morro (sou covarde), mas me arrisco (sou ousado).
  • Cada vez me convenço mais que a crítica brasileira, essa que anda aí elegendo seus cânones, é movida apenas pelo gosto pessoal, pelo comadrio e até pelo jabá. É flagrante sua ignorância, seu bairrismo, suas fichinhas carimbadas, seus tin-tins.
  • Fui ao lançamento de um livro de um amigo e ouvi alguém referir-se a mim como o cara que só sabe falar de cordel. Mas a pessoa falava como quem queria evitar-me a toda custo, para não ouvir minhas intermináveis divagações sobre cordel e cordelistas. Nessa noite caiu minha ficha: estou no caminho certo.
 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cordel em tempos de guerra


1.
Em tempos de retomada de território, a brigada do cordel deve se situar entre a bala e o ballet, entre o fuzil e o fusilli, entre o militar e a militância, entre o estilhaço e o estiloso, entre o coronel e a coronária, entre a intelligentzia e a inteligência, entre o preso e o prazo, entre o Beltrame e o Belchior.



2.
O cordel consolidou-se como o principal traficante poético do Brasil: ensanguentou Suassuna na Pedra do Reino, desovou Zé Lins nos labirintos do canavial, cegou Raquel de Queiroz com um copo de água gelada, expulsou João Cabral da casa de Sivirino e recentemente jogou Glauco Mattoso de uma catarata.