quinta-feira, 16 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Sobra Patativa do Assaré: entrevista
O centenário de Patativa do Assaré foi comemorado em alguns lugares e por alguns órgãos. A TV Brasil, pelo programa De Lá Pra Cá, deu sua contribuição aos festejos com um programa dedicado ao poeta cearense. Fui um dos entrevistados. A entrevista está abaixo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=OZJ5rvPVi3M&hl=pt-br&fs=1&]
Infelizmente ainda reside uma certa miopia em alguns setores acadêmicos que teimam em ignorar a contribuição poética oriunda das classes pobres. Daí serem, os chamados "poetas populares", alijados de qualquer evento produzido pelas elites, salvo quando querem dar uma de filantropas. É triste.
Poetas cordelistas, todavia, se encontraram em Brasília e construíram um encontro sensacional com a presença do presidente Lula e de estudiosos e amantes do cordel. Estava lá o poeta Rouxinol do Rinaré que nos passou estes versos feitos quando da morte do Patativa:
Alguns comentários que me chegaram por e-mail:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=OZJ5rvPVi3M&hl=pt-br&fs=1&]
Infelizmente ainda reside uma certa miopia em alguns setores acadêmicos que teimam em ignorar a contribuição poética oriunda das classes pobres. Daí serem, os chamados "poetas populares", alijados de qualquer evento produzido pelas elites, salvo quando querem dar uma de filantropas. É triste.
Poetas cordelistas, todavia, se encontraram em Brasília e construíram um encontro sensacional com a presença do presidente Lula e de estudiosos e amantes do cordel. Estava lá o poeta Rouxinol do Rinaré que nos passou estes versos feitos quando da morte do Patativa:
PATATIVA DO ASSARÉ
DEIXA O NORDESTE DE LUTO
Que dura realidade
A morte se encheu de orgulho
Marcando o oito de julho
Como o dia da saudade
Aos noventa e três de idade
O poeta deixa a vida
Patativa que na lida
Foi guerreiro resoluto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.
Alçou voo o Patativa
Deixou choroso o nordeste
Foi para a corte celeste
Na angelical comitiva
Sua poesia viva
Jamais será esquecida
Na sua Assaré querida
Não há um só olho enxuto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.
O defensor dos roceiros
Rompeu o sagrado véu
Foi recebido no céu
Na corte dos violeiros
Gonzaga e mil sanfoneiros
Vieram dar-lhe acolhida
Na terra a voz dolorida
De todo o povo eu escuto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.
Adeus poeta do povo
"Inspiração Nordestina"
Com tua lira tão fina
Quem nos cantará de novo?
No meu versejar promovo
Com a pena comprometida
Eu quero uma estátua eguida
Deste poeta matuto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.
Cessou toda melodia
Assaré emudeceu
O Patativa morreu
Abalou-se a poesia
A noite triste surgia
Com o manto da despedida
Curvou-se a musa sentida
Num silêncio absoluto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.
Nas asas da esperança
Ultrapassou a fronteira
Além-pátria brasileira
É estudado na França
Em Assaré por lembrança
Há uma casa erigida
No céu recebeu guarida
Descanso em absoluto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.
Sinto uma lágrima cair
Em cima de minha arte
Não vejo em nenhuma parte
Mais "um verso se bulir"
Foi Deus quem quis se servir
Da poesia mais lida
Da voz que foi tão ouvida
Nem um som sequer escuto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida!
Ao saudoso menestrel
Patativa do Assaré
Rouxinol do Rinaré
Faz homenagem em cordel
Pela musa mais fiel
Minha mão foi conduzida
Com a face umedecida
Eis ao mestre o meu tributo
Pois também estou de luto
Por sua triste partida!
Rouxinol do Rinaré
Alguns comentários que me chegaram por e-mail:
"... estou colocando em uma das páginas mais vistas de Blocos (com quase 50.000 páginas on line). É só clicar no link abaixo:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/servic/sernotic.php#informacoes "
Leila Mícolis
"Sua entrevista sobre Patativa do Assaré esteve ótima. Desenvoltura, empatia para com as coisas aqui de nós, sensibilidade e inteligência respondem pelo seu perfil de cantador e poeta cangaceiro."
Hildeberto Barbosa Filho
"eu vi no dia mesmo, aderaldo, parabéns!"
Elaine Pauvolid
"Aderaldo, vi a reportagem e não sabia que você tinha intimidade com o violão... Parabéns."
Antonio Gouveia
"Vi ontem a noite a apreciei bastante a tua intervenção.
Parabéns e, finalmente, conheci o prof. Aderaldo...
Gostei!!!"
Kydelmir Dantas
terça-feira, 28 de abril de 2009
Entrevista a Ancelmo Góis
O programa De Lá Pra Cá, da TV Brasil, vai ao ar às segundas-feiras a partir das 22:00h, apresentado por Ancelmo Góis e Vera Barroso. No programa sobre o mestre Vitalino de Caruaru fui um dos entrevistados falando sobre as intersecções entre a vida e a obra do mestre do barro e a Literatura de Cordel. Editei a matéria e o resultado está aqui:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=yMs4e2n4D4g&hl=pt-br&fs=1]
Para a entrevista, pensando em emoldurar ludicamente a matéria, pedi a alguns poetas de cordel a gentileza de produzirem algo para que eu pudesse ler no programa, para provar a atualidade e o tom memorialístico do “deus do barro do Alto do Moura”. Como o tempo do programa é pouco, na edição foi para o ar apenas a leitura das estrofes de Rouxinol do Rinaré. Os que me enviaram, pedi licença para postar aqui os seus versos.
Marco Haurélio, pesquisador, poeta, autor de diversos cordéis, fã de Cancão de Fogo e João Grilo, curador da Coleção Clássicos do Cordel da Editora Nova Alexandria, enviou o seguinte:
Já o “frei” Varneci Nascimento, cordelista consolidado, historiador, agitador cultural, escreveu:
Outro poeta, Celso Góis, profícuo e livre em sua arquitetura poética, lá de Canindé, no Ceará, mandou:
Na reflexão profunda sobre o mito criador, com sagacidade, o poeta Bem-te-vi Neto, enviado por Arievaldo Viana:
E os versos completos de Rouxinol de Rinaré:
Agradeço demais a todos que contribuíram e aos que não puderam, pois o chamado foi na véspera da gravação do programa na Chácara do Céu, em Santa Teresa no Rio de Janeiro. Lembrando que a simpatia de Ancelmo Góis e o bom humor e descontração de toda a produção do programa são coisas que merecem ser anotadas.
Deixando alguns créditos ainda: solfejei a música Caldeirão dos Mitos, de Bráulio Tavares, gravada por Elba Ramalho. Essa música ouvi pela primeira vez com o próprio Bráulio cantando num dos Festivais de Arte da cidade de Areia, na Paraíba. Na época eu era um menino que queria ser artista.
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=CNr8im5cKRs&hl=pt-br&fs=1]
Durante a entrevista citei ainda a música O deus do barro, cantado por Petrúcio Amorim. Na edição final do programa não foi para o ar, mas posto aqui o clipe.
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=2tWXGCaz4KI&hl=pt-br&fs=1]
Não posso esquecer os bons préstimos de Arievaldo Viana, poeta e nosso professor de cordel, pela vontade com que mobilizou outros poetas. A ele agradeço o cordel de Arlene Holanda, com quem pude trocar meia dúzia de palavras. Tampouco esquecerei de João Gomes de Sá, amigo recente, poeta cordelista antigo, sempre amável e receptivo aos meus pedidos.
É isso.
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=yMs4e2n4D4g&hl=pt-br&fs=1]
Para a entrevista, pensando em emoldurar ludicamente a matéria, pedi a alguns poetas de cordel a gentileza de produzirem algo para que eu pudesse ler no programa, para provar a atualidade e o tom memorialístico do “deus do barro do Alto do Moura”. Como o tempo do programa é pouco, na edição foi para o ar apenas a leitura das estrofes de Rouxinol do Rinaré. Os que me enviaram, pedi licença para postar aqui os seus versos.
Marco Haurélio, pesquisador, poeta, autor de diversos cordéis, fã de Cancão de Fogo e João Grilo, curador da Coleção Clássicos do Cordel da Editora Nova Alexandria, enviou o seguinte:
Salve, Mestre Vitalino!
Salve, Mestre Vitalino,
Herdeiro da tradição,
Oleiro sacro divino,
Que criou com sua mão
Vida, pulsante e agreste,
O folclore do Nordeste,
A tradição pastoril,
A gesta dos cangaceiros,
Epopéia de guerreiros,
A alma deste Brasil.
Vem de Ribeira dos Campos
Este artista singular,
Que igualmente aos pirilampos
Nasceu para iluminar
A fatigante existência,
Tendo o barro por essência
De sua recriação
E, assim de modo preciso,
Faz lembrar Paraíso
Quando Deus criou Adão.
Ó bela Caruaru!
Impávido Leão do Norte
Caboclo selvagem, nu,
Terra augusta, a tua sorte
É semear a cultura,
É fazer bela figura
Nesse solo nordestino,
Que há cem anos viu nascer,
E jamais verá morrer
A arte de Vitalino.
Já o “frei” Varneci Nascimento, cordelista consolidado, historiador, agitador cultural, escreveu:
MESTRE VITALINO
Filho de mãe artesã
E um pai agricultor
Vitalino inda menino
Tornou-se observador,
Da mãe, pra poder depois,
Mostrar todo seu valor.
A mamãe com todo amor
De barro dava o restinho
Vitalino começou
Fazer boneco e jeguinho
De cerâmica modelando,
Um cangaceiro, um pratinho.
Trabalhando com carinho
Virou mestre e muito mais
De modo que sua obra
Tem dimensões mundiais,
Levando brasilidade
Para os centros culturais.
Sua mão tão perspicaz
O fez muito respeitado
Deu forma ao que ninguém
Ainda havia formado,
Com sua obra nós temos
Até cordel ilustrado!
Hoje imortalizado
Está esse nordestino
Que com o barro mostrou
O sertão de sol a pino,
E agora o cordel demonstra
Quem foi mestre Vitalino.
O cordel que é nosso hino
Do presente e do passado,
Como Vitalino foi,
Um ceramista arretado,
Jamais por nós, os poetas,
Deixará de ser lembrado!
Outro poeta, Celso Góis, profícuo e livre em sua arquitetura poética, lá de Canindé, no Ceará, mandou:
MESTRE VITALINO
Em julho do ano nove
(Século XX) nasceu
Nosso Mestre Vitalino
Que o mundo reconheceu
Fez da arte sua tribuna
Famoso mas sem fortuna
Muito pobre inda morreu.
Pernambuco foi seu berço
Seu torrão de nascimento
Tentou destaque na música
Mas tinha outro talento
Como na história de Adão
Retirou vida do chão
No barro do seu sustento.
Nascido em Caruaru
E lá mesmo residia
Não conheceu a escola
Não lia nem escrevia
Mas honrava seus irmãos
Com a cultura das mãos
Que para o Brasil fazia.
Sua arte encantou
E encanta ainda a nação
Admirado no mundo
Ao Brasil deu projeção
Grande Mestre Vitalino
Orgulho do nordestino
Que ama e cultua o chão.
Na reflexão profunda sobre o mito criador, com sagacidade, o poeta Bem-te-vi Neto, enviado por Arievaldo Viana:
Diz a Sagrada Escritura
Que Adão foi feito de barro
Mas essa história eu não narro
Porque é mentira pura...
Inda tem gente que jura
Que tudo isso é passado,
Deus é um Santo Sagrado,
Ele nunca foi "loiceiro"
Pra estar dentro dum barreiro
Fazendo cabra safado!
E os versos completos de Rouxinol de Rinaré:
CENTENÁRIO DE MESTRE VITALINO
Agora em dois mil e nove
Festeja-se o centenário
De Vitalino Pereira
Que em seu itinerário
Virou “Mestre Vitalino”,
Artista extraordinário!
Talento e imaginação
Não faltou ao ceramista.
Como Deus formou Adão
(Cá no meu ponto de vista)
O barro ganhava formas
Nas mãos desse grande artista.
Luis Gonzaga cantou
O Nordeste em seu baião.
Mestre Vitalino, em barro,
Moldava com precisão
Cenários e personagens
Que via pelo sertão.
Nasceu em Caruaru,
Mas percorreu o país.
A arte rompe fronteiras,
Existe um jargão que diz,
E a arte de Vitalino
Chegou ao Louvre, em Paris!
Agradeço demais a todos que contribuíram e aos que não puderam, pois o chamado foi na véspera da gravação do programa na Chácara do Céu, em Santa Teresa no Rio de Janeiro. Lembrando que a simpatia de Ancelmo Góis e o bom humor e descontração de toda a produção do programa são coisas que merecem ser anotadas.
Deixando alguns créditos ainda: solfejei a música Caldeirão dos Mitos, de Bráulio Tavares, gravada por Elba Ramalho. Essa música ouvi pela primeira vez com o próprio Bráulio cantando num dos Festivais de Arte da cidade de Areia, na Paraíba. Na época eu era um menino que queria ser artista.
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=CNr8im5cKRs&hl=pt-br&fs=1]
Durante a entrevista citei ainda a música O deus do barro, cantado por Petrúcio Amorim. Na edição final do programa não foi para o ar, mas posto aqui o clipe.
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=2tWXGCaz4KI&hl=pt-br&fs=1]
Não posso esquecer os bons préstimos de Arievaldo Viana, poeta e nosso professor de cordel, pela vontade com que mobilizou outros poetas. A ele agradeço o cordel de Arlene Holanda, com quem pude trocar meia dúzia de palavras. Tampouco esquecerei de João Gomes de Sá, amigo recente, poeta cordelista antigo, sempre amável e receptivo aos meus pedidos.
É isso.
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