0. Viver é como dormir: uns têm pesadelos, outros não querem acordar e há aqueles, como eu, que são acalentados pela insônia.
1. Viver é como cantar: uns desafinam, outros se afinam e há aqueles, como eu, que apenas dublam com playback.
3. Viver é como chorar: uns se desesperam teatralmente, outros deixam apenas a lágrima tímida descer pela face e há aqueles, como eu, que fingem nem ligar.
4. Viver é como blogar: uns o fazem intensamente, todos os dias, outros esperam meses para dizer alguma coisa e há aqueles que, como eu, gostam mesmo é de ler o blog dos outros e invejá-los.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Fragmentos de alguma coisa
1. Estou em conflito com minha tese de doutorado. Ela está ganhando o cabo de guerra. Teima em não sair do lugar e seu peso é grave, seus pés se enterraram na terra e dali não avançam nem um milímetro. Cometi um erro de avaliação e estou pagando o preço. Abandonei antigos projetos e o novo projeto pede mais gás. E para mim, todo gás agora, é de efeito estufa. Estou estufando. Vou tentando e cada vez que me sento para escrever, vem uma voz e me diz: – Não vai sair, não vai sair, não vai sair!” Daqui a pouco é todo mundo gritando: “– Não vai sair, não vai sair!”, como naquela música louca e diabólica de Roberto Carlos “Guerra dos meninos”, num interminável "lá, lá, lá, lá, rá, lá! lá, lá, lá, lá,rá,lá!lá, lá, lá, rá, lá, lá!lá, lá, lá, rá, lá, lá!lá, lá, lá, rá, lá, lá!lá, lá, lá, rá, lá, lá!lá, lá, lá, rá, lá, lá!" Arre, diabos!
2. Me meti a adaptar para a Literatura de Cordel “A Metamorfose”, aquela história do Franz Kafka. Mas expliquei aos editores que meu plano é um cordel-quadrinhos no qual cada sextilha corresponde a um quadrinho, expostos lado a lado. Entretanto o quadrinho não quero desenhado explicando nem representando a sextilha, nem um retrato da situação. Deve ser a leitura do ilustrador. Os seus sentimentos diante do escrito, assim cada quadrinho não deve representar a narrativa e talvez tenha mesmo um outro olhar estranho, uma outra história. Os editores acharam muito complicado e me acuaram a desistir do projeto. E eu desisti dos editores, mesmo cometendo essas coisas grifadas!
3. “O Rio São Francisco estava ali bem na sua frente. Era o primeiro rio de verdade que Pedro via. Tinha água marrom. Eram águas de inverno. Do lado de cá uma cidade chamada Juazeiro, do lado de lá, Petrolina. Viu coisas que nunca imaginara ver. Viu uvas e mangas, morangos e cajus. Alguém comentou que aquelas frutas eram produzidas ali mesmo com água do rio que tinha nome de santo. Tudo que ouvira até ali sobre o Nordeste é que era uma terra seca, de famintos. Mas uva e morango? Ali? Aquilo não era o que chamavam de sertão? Pedro começava a ver as verdades amadurecendo em seus olhos!” Escrever é cortar o “que”! Tente quem quiser!
4. Não venha para cá conversar besteira. Sei que você não leu a “Peleja virtual de Glauco Mattoso com Moreira de Acopiara”! Muito menos as “Traquinagens de João Grilo” de Marco Haurélio. Tampouco “As Aventuras do Matuto Zé Ruela” de Cacá Lopes. “O Cangaço Sustentado Pelos Coronéis” de Varneci Nascimento, então, é alienígena para você. Não leu, né? É pedir demais para você, não? Pois bem, meu filho, esse seu preconceito, essa sua falsa cultura, essa bazófia sua, tudo isso, que você alardeia, até suas leituras esquizofrênicas sobre Heidegger e suas câmaras de gases... Você já leu Costa Senna?
2. Me meti a adaptar para a Literatura de Cordel “A Metamorfose”, aquela história do Franz Kafka. Mas expliquei aos editores que meu plano é um cordel-quadrinhos no qual cada sextilha corresponde a um quadrinho, expostos lado a lado. Entretanto o quadrinho não quero desenhado explicando nem representando a sextilha, nem um retrato da situação. Deve ser a leitura do ilustrador. Os seus sentimentos diante do escrito, assim cada quadrinho não deve representar a narrativa e talvez tenha mesmo um outro olhar estranho, uma outra história. Os editores acharam muito complicado e me acuaram a desistir do projeto. E eu desisti dos editores, mesmo cometendo essas coisas grifadas!
3. “O Rio São Francisco estava ali bem na sua frente. Era o primeiro rio de verdade que Pedro via. Tinha água marrom. Eram águas de inverno. Do lado de cá uma cidade chamada Juazeiro, do lado de lá, Petrolina. Viu coisas que nunca imaginara ver. Viu uvas e mangas, morangos e cajus. Alguém comentou que aquelas frutas eram produzidas ali mesmo com água do rio que tinha nome de santo. Tudo que ouvira até ali sobre o Nordeste é que era uma terra seca, de famintos. Mas uva e morango? Ali? Aquilo não era o que chamavam de sertão? Pedro começava a ver as verdades amadurecendo em seus olhos!” Escrever é cortar o “que”! Tente quem quiser!
4. Não venha para cá conversar besteira. Sei que você não leu a “Peleja virtual de Glauco Mattoso com Moreira de Acopiara”! Muito menos as “Traquinagens de João Grilo” de Marco Haurélio. Tampouco “As Aventuras do Matuto Zé Ruela” de Cacá Lopes. “O Cangaço Sustentado Pelos Coronéis” de Varneci Nascimento, então, é alienígena para você. Não leu, né? É pedir demais para você, não? Pois bem, meu filho, esse seu preconceito, essa sua falsa cultura, essa bazófia sua, tudo isso, que você alardeia, até suas leituras esquizofrênicas sobre Heidegger e suas câmaras de gases... Você já leu Costa Senna?
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
O desenho na areia
Eu quis desenhar um sol
na areia, bem perto ao mar
para que as águas deste
pudessem lhe refrescar
a maré subiu sem regras:
impossível ao sol brilhar!
na areia, bem perto ao mar
para que as águas deste
pudessem lhe refrescar
a maré subiu sem regras:
impossível ao sol brilhar!
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
GRAVADORA KUARUP ENCERRA SUAS ATIVIDADES
Recebi a seguinte mensagem:
Fato lamentável pois o elenco da Kuarup é (ou era) da maior competência e importância para a o meio cultural brasileiro. Estamos todos os de minha geração órfãos musicais. Foi com a música produzida por ela que crescemos e descobrimos a qualidade de nossos compositores. Entramos no mundo com o primeiro Cantoria, no qual Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo nos embalavam, e continuamos até o último dvd de Sivuca. De muita tristeza essa notícia. Semelhante ao que nos consternou com o desaparecimento da Marcus Pereira e da Rosenblit, mais antigamente!
Depois de 31 anos dedicados à melhor música brasileira, a gravadora independente carioca Kuarup Discos decidiu encerrar suas atividades nesta virada de ano.
Ao longo dos últimos anos, as vendas de produtos físicos sofreram queda vertiginosa, nem de longe compensada pelas vendas por download da internet. Entendemos que a crise do CD é irreversível e tornou inviável nosso modelo de negócio, inteiramente calcado na produção e comercialização de música de qualidade.
Agradecemos aos nossos funcionários, representantes, amigos, clientes e fornecedores, e sobretudo aos nossos artistas, que continuarão a carregar a bandeira desta música brasileira que ajudamos a divulgar durante todos estes anos.
Kuarup Produções Ltda/ Kuarup Discos
Fato lamentável pois o elenco da Kuarup é (ou era) da maior competência e importância para a o meio cultural brasileiro. Estamos todos os de minha geração órfãos musicais. Foi com a música produzida por ela que crescemos e descobrimos a qualidade de nossos compositores. Entramos no mundo com o primeiro Cantoria, no qual Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo nos embalavam, e continuamos até o último dvd de Sivuca. De muita tristeza essa notícia. Semelhante ao que nos consternou com o desaparecimento da Marcus Pereira e da Rosenblit, mais antigamente!
Chico César vai comer na minha mão
Pois é, o disco Francisco Forró Y Frevo de Chico César desde que entrou aqui em casa pelas mãos de minha esposa, como presente para mim, tem causado abalos culturais. A maestria dos arranjos, a sensibilidade das letras, as parcerias, a voz doce, as sanfonas, os metais, os efeitos mecânicos, os personagens Claudionor Germano, o Rei do Frevo, Zabé da Loca, a Rainha do Pife, Armandinho, o Rei do Pau Elétrico. É uma coisa. Cada vez que escuto acho uma coisa nova, um efeito subliminar, um bendito, uma denúncia, uma dedicatória. Não é só!
Acontece que minha filha de cinco anos também descobriu o sujeito e agora anda vivendo, acho eu, o seu primeiro alumbramento. Cantarolando para lá e para cá o xote Comer na Mão. Foi fuçar meus cds e dvds e encontrou mais coisa e quer ouvir e quer saber quem é e escreveu carta e desenhou o rapaz e quer que eu mande essas coisas para ele e quer saber tudo da vida. Consultei uma amiga psicanalista para um aconselhamento informal e fui esclarecido que é coisa normal. Não se passa um dia em que ela não cita o nome do dito cujo pelo menos três vezes.
Acontece que minha filha de cinco anos também descobriu o sujeito e agora anda vivendo, acho eu, o seu primeiro alumbramento. Cantarolando para lá e para cá o xote Comer na Mão. Foi fuçar meus cds e dvds e encontrou mais coisa e quer ouvir e quer saber quem é e escreveu carta e desenhou o rapaz e quer que eu mande essas coisas para ele e quer saber tudo da vida. Consultei uma amiga psicanalista para um aconselhamento informal e fui esclarecido que é coisa normal. Não se passa um dia em que ela não cita o nome do dito cujo pelo menos três vezes.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Fábulas
1.
Medusa mirava-se no espelho
e penteava a longa cabeleira
2.
Um chato de galochas repousava
encostado a um pêlo pubiano
de um gato de botas
3.
Duas centopéias
despediram-se em um longo e interminável abraço!
4.
um elefante esqueceu de dar o nó em sua gravata borboleta
5.
O Patinho Feio, de passagem pela França, descobriu-se
um lindo e maravilhoso
Foie Gras!
O paraíba
Pedro, agora, tinha certeza de uma coisa: todos aqueles que o chamavam de paraíba não sabiam onde ficava a Paraíba, nem que a Paraíba era tão longe.
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