sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Outras paródias

1.

Inicio outra rodada de paródias com Georges Mathieu, em entrevista a Vintila Horia:— É evidente que o poeta de cordel se prepara para escrever. O problema está em saber ou prever se o fará de forma sábia ou demencial.

2.

Thomas Heggen a Budd Schulberg: Leandro Gomes de Barros (o criador do cordel) foi sábio o bastante para logo perceber que a carreira de um escritor não é uma escada rolante, nem uma palmeira para que suba por ela, como macaco, se apoiando nas mãos. Um escritor, quando continua escrevendo é uma cordilheira... sou uma cordilheira, desço, subo, tenho chapadas, deslizes e até quedas.

3.

Vicente Huidobro: esses quase-poetas contemporâneos são muito interessantes, mas seu interesse não me interessa. 

A terra do sal

  • O cordel é minha terra e minha praia, é meu santo e meu altar, por ele não mato (sou um frouxo) nem morro (sou covarde), mas me arrisco (sou ousado).
  • Cada vez me convenço mais que a crítica brasileira, essa que anda aí elegendo seus cânones, é movida apenas pelo gosto pessoal, pelo comadrio e até pelo jabá. É flagrante sua ignorância, seu bairrismo, suas fichinhas carimbadas, seus tin-tins.
  • Fui ao lançamento de um livro de um amigo e ouvi alguém referir-se a mim como o cara que só sabe falar de cordel. Mas a pessoa falava como quem queria evitar-me a toda custo, para não ouvir minhas intermináveis divagações sobre cordel e cordelistas. Nessa noite caiu minha ficha: estou no caminho certo.
 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cordel em tempos de guerra


1.
Em tempos de retomada de território, a brigada do cordel deve se situar entre a bala e o ballet, entre o fuzil e o fusilli, entre o militar e a militância, entre o estilhaço e o estiloso, entre o coronel e a coronária, entre a intelligentzia e a inteligência, entre o preso e o prazo, entre o Beltrame e o Belchior.



2.
O cordel consolidou-se como o principal traficante poético do Brasil: ensanguentou Suassuna na Pedra do Reino, desovou Zé Lins nos labirintos do canavial, cegou Raquel de Queiroz com um copo de água gelada, expulsou João Cabral da casa de Sivirino e recentemente jogou Glauco Mattoso de uma catarata.